Como uma estratégia de taxa variável reduziu em US$ 64/ha os custos com sementes e fertilizantes no milho

Tempo de leitura: 10 minutos

Estudo de caso de uma fazenda na Ucrânia mostra como decisões baseadas em dados podem reduzir custos e aumentar a produtividade.

Olha Matsera
Agrônoma da OneSoil
A agricultura de precisão começa com o entendimento do talhão

A agricultura de precisão muitas vezes é associada a tecnologias isoladas, como imagens de satélite, mapas de prescrição, análises de solo ou aplicação de insumos em taxa variável.

Na prática, porém, os melhores resultados aparecem quando essas ferramentas fazem parte de uma sequência lógica de decisões.

Este estudo de caso mostra como uma fazenda na região de Vinnytsia, na Ucrânia, utilizou as Zonas de Produtividade da OneSoil para planejar a amostragem de solo, identificar fatores que limitavam a produtividade e realizar a aplicação de sementes e fertilizantes em taxa variável no milho.

Já na primeira safra, a fazenda reduziu os custos com sementes e fertilizantes e, ao mesmo tempo, aumentou a produtividade média da cultura. Mais do que adotar uma nova tecnologia, a equipe criou um processo que poderá ser repetido e aprimorado nas próximas safras com base nos dados do próprio talhão.
Cultura:
milho para grãos
Área do talhão:
34,9 ha
Localização:
região de Vinnytsia, Ucrânia

Resultados obtidos

$64/ha

1.37 t/ha

$2,234

Economia em sementes e fertilizantes

Aumento da produtividade

Economia total em todo o talhão

Etapa 1. Identificar zonas de produtividade estáveis

O primeiro passo foi entender como o talhão havia se comportado ao longo dos anos.

A OneSoil analisou imagens de satélite de seis safras e gerou um mapa de produtividade. Imagens de baixa qualidade foram automaticamente excluídas da análise.

Os dados mostraram que 64% da área permaneceu na mesma classe de produtividade durante várias safras. Isso indicava que as diferenças observadas no talhão não eram aleatórias. Havia zonas que apresentavam, de forma consistente, maior ou menor potencial produtivo.

Essa estabilidade tornou o talhão adequado para o uso de estratégias de agricultura de precisão.

Etapa 2. Validar o mapa de produtividade

Antes de utilizar o mapa para tomar decisões agronômicas, era necessário verificar se as zonas identificadas correspondiam às condições reais do campo.

O mapa foi comparado com o relevo do talhão e, posteriormente, com os resultados das análises de solo. A correlação obtida, entre 0,95 e 0,98, confirmou que as zonas de produtividade estavam relacionadas às características reais do terreno e do solo.

Com essa validação, a equipe pôde utilizar o mapa como base para planejar as etapas seguintes.

Etapa 3. Fazer a amostragem de solo por zonas de produtividade

A amostragem por zonas de produtividade ajuda a compreender melhor a variabilidade do talhão e a planejar o manejo de nutrientes com mais precisão.
O passo seguinte após a criação do mapa de Zonas de Produtividade foi gerar um mapa de amostragem de solo para a realização da análise química do solo.

Uma abordagem amplamente utilizada é a amostragem baseada em uma grade regular. No entanto, esse método apresenta uma limitação importante, especialmente em áreas heterogêneas: uma única amostra pode incluir tanto zonas de alta quanto de baixa produtividade. Como resultado, o laboratório fornece um valor médio que não representa corretamente nenhuma dessas zonas.

Por isso utilizamos a amostragem por zonas homogêneas. Essa abordagem não apenas reduz o número de análises e os custos, mas também fornece resultados que realmente representam as características de cada área específica do campo.

Etapa 4. Identificar os fatores que limitavam a produtividade

Os resultados das análises de solo foram comparados com as Zonas de Produtividade.

As áreas de menor produtividade apresentaram níveis mais baixos de enxofre e zinco disponíveis.
Isso não significava que esses nutrientes fossem os únicos responsáveis pelas diferenças de produtividade. No entanto, os dados indicavam que eles poderiam estar entre os principais fatores limitantes nessas zonas.

Essas informações foram utilizadas para orientar a estratégia de adubação.

Etapa 5. Criar o mapa de prescrição e instalar ensaios no campo

Com base nas Zonas de Produtividade e nos resultados das análises de solo, a equipe elaborou um mapa de prescrição para a aplicação de fertilizantes em taxa variável (testemunhas).

Ao mesmo tempo, foram instalados ensaios de diferentes doses de fertilizantes dentro do próprio talhão.

O objetivo não era apenas seguir uma recomendação teórica, mas verificar em condições reais como cada dose influenciava a produtividade em zonas com potenciais diferentes.

Esse tipo de teste permite avaliar se o aumento da dose gera retorno econômico e ajuda a ajustar a estratégia nas safras seguintes.

Etapa 6. Comparar as diferentes doses de fertilizantes

A principal conclusão foi que a rentabilidade não vinha de reduzir a dose em todo o talhão. Ela vinha de aplicar a dose adequada em cada zona, de acordo com seu potencial de resposta.
Após a colheita, os resultados dos ensaios foram analisados. Nas zonas de alta produtividade, a maior dose de fertilizante gerou a maior produtividade: 9,89 t/ha.

No entanto, a diferença em relação à dose intermediária não foi estatisticamente significativa.
Isso mostrou que a dose intermediária poderia gerar praticamente o mesmo resultado produtivo, mas com menor custo de fertilizantes.

Nas zonas de baixa produtividade, o aumento da dose praticamente não provocou resposta na produtividade. Nessas áreas, aplicar mais fertilizante não gerou retorno econômico suficiente para justificar o investimento adicional.

Etapa 7. Validar a estratégia após a colheita

Na última etapa, o mapa de produtividade gerado pela colhedora foi comparado com o mapa inicial das Zonas de Produtividade.

A correlação de 0,8 confirmou que as zonas representavam de forma consistente o potencial produtivo do talhão.

Essa comparação também mostrou que os dados acumulados ao longo da safra poderiam ser utilizados com mais confiança no planejamento dos próximos ciclos.

Resultado econômico

Antes da implementação da estratégia de taxa variável, o custo total com sementes e fertilizantes era de US$ 407,9/ha.

Após a aplicação dos mapas de prescrição, esse custo caiu para US$ 343,9/ha, gerando uma economia de US$ 64/ha, ou 15,7%.

Ao mesmo tempo, a produtividade média aumentou 1,37 t/ha, passando de 8,01 para 9,38 t/ha.

O resultado mostra que otimizar a distribuição dos insumos não significa necessariamente produzir menos. Pelo contrário, essa abordagem pode ajudar a aproveitar melhor o potencial de cada zona do talhão e melhorar, ao mesmo tempo, a produtividade e a rentabilidade.

Por que o resultado não foi simplesmente uma consequência da redução de insumos?

Este projeto mostra que os resultados da agricultura de precisão não dependem de uma única tecnologia.

Primeiro, a fazenda identificou zonas de produtividade estáveis. Depois, validou essas zonas com dados do relevo e do solo, utilizou-as para planejar a amostragem, identificou possíveis fatores limitantes, criou mapas de prescrição, aplicou fertilizantes em taxa variável e comparou diferentes doses por meio de ensaios no campo.

Por fim, os resultados foram avaliados com os dados da colheita.

Na primeira safra, a fazenda reduziu em US$ 64/ha os custos com sementes e fertilizantes e aumentou em 17,1% a produtividade média do milho.

O resultado não veio simplesmente da redução do uso de insumos. Ele veio de uma sequência de decisões que ajudou a direcionar os investimentos para as áreas onde havia maior probabilidade de retorno.

Ao mesmo tempo, o projeto criou uma base de dados que poderá ser aprimorada a cada nova safra. Quanto mais informações são acumuladas sobre o talhão, mais precisas podem se tornar as decisões sobre sementes, fertilizantes e outros insumos.
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